Este não é mais um sítio de religião, como tantos que por aì proliferam. Infelizmente, o mundo religioso está dominado pelo materialismo e pelos interesses de projecção pessoal e financeiro de muitos dos seus líderes. Deturpam a verdade com mentiras e usam a ignorância das pessoas que na sua boa fé neles acreditam, aproveitando-se dos seus bons sentimentos e, quantas vezes, também do seu dinheiro. Não sou devoto de nenhuma religião. Todas as religiões, ainda que possam ter alguns fundamentos de bondade, são conduzidas por homens e para homens, pelo que estão viciadas nos seus caminhos. Eu creio no Senhor Jesus Cristo. A minha "religião" é a Pessoa de Jesus Cristo. A palavra religião significa religar (re+ligare) e, de facto, apenas o Senhor Jesus Cristo re-ligou o que estava separado, isto é, o Homem com Deus (1 Timóteo 2:5,6). É por isso que a minha fé não se baseia nas tradições humanas ou em qualquer religião (seja ela católica, evangélica, ortodoxa ou outra), mas nas Palavras do Senhor Jesus Cristo, tais como se encontram exaradas na Bíblia Sagrada, a única regra de fé espiritual em que faço pautar toda a minha meditação e conduta de vida. (Luz para a Vida)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

DOUTRINA DA PROSPERIDADE (2)



Uma das principais ervas daninhas que tem proliferado à volta do Cristianismo é a doutrina da prosperidade, que nada mais é que uma doutrina distorcida a respeito de Deus, de forte conteúdo materialista e que tem seduzido a muitos e os desviado da verdade.

Quando falo da “doutrina da prosperidade”, não falo apenas de seitas religiosas ou de uma denominação, mas de um movimento que se tem infiltrado com as suas ideias em diversas denominações e grupos evangélicos, principalmente os pentecostais, sendo, por isso mesmo, uma das mais perigosas heresias na atualidade. Os seus conceitos têm invadido as mentes de muitos crentes, provocando grandes prejuízos espirituais.

O apóstolo Paulo foi claríssimo ao afirmar que se esperarmos em Cristo só para as coisas desta vida seremos os mais miseráveis de todos os homens (1Co 15:19). É esta a triste situação espiritual dos milhões que têm procurado Jesus única e exclusivamente para terem a “prosperidade” apregoada pelos falsos mestres da atualidade, eles mesmos escravos da ganância (2Pe 2:3).

Há uns anos atras, a pregação evangélica, principalmente pentecostal, enfatizava que os cristãos não deveriam apegar-se às riquezas materiais, aos interesses terrenos, pois Jesus nos ensinou que aqui somos apenas peregrinos (1Pe 2:11), pois o nosso lugar é o Céu (João 14:1-3), e que não deveríamos juntar tesouros aqui (Mt 6:19,20; Lc 12:23). Mas, veio a doutrina da prosperidade dizer que o cristão deve ser próspero financeiramente e viver sempre livre de qualquer enfermidade. Quando isto não acontece, é porque ele deve estar em pecado, não tem fé ou vive sob o domínio do diabo. Chegam ao ridículo de dizer que Jesus nasceu de uma virgem zero km, entrou em Jerusalém montado num jumento zero km e, na sua morte, foi sepultado num túmulo zero km. Como se vê, é uma interpretação forçada da Palavra Deus para se justificar erros, heresias e interesses duvidosos.

Os doutrinadores da prosperidade ensinam que todos os cristãos devem ser ricos financeiramente, ter o melhor salário, a melhor casa, o melhor carro, uma saúde de ferro, e que toda enfermidade vem do diabo. E que se o cristão não vive nesta prosperidade, é por falta de fé ou porque que há pecado na sua vida, desprezando, assim, soberania de Deus.

A soberania de Deus é a doutrina que afirma que Deus é supremo, tanto em governo quanto em autoridade sobre todas as coisas, mas para os doutrinadores da prosperidade, a soberania de Deus não é levada muita a sério, pois os verbos que imperam são: exigir, decretar, determinar, reivindicar, ao invés de pedir, rogar, suplicar, etc. Jesus, porém, ensinou-nos a pedir e não exigir (Mt 7:7; Lc 11:9; João 16:24; Sl 27:4; Pv 30:7; Zc 10:1.)

A maligna e perversa doutrina da prosperidade tem feito de ricos, pobres da presença de Deus e de pobres, ricos sem Deus. Pois “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6:10).

O apostolo Paulo talvez tivesse sido rico, mas depois que teve contato com Cristo viveu sem riquezas: "... aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas tenho experiência, tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade"(Fp 4:11-12).

Veja o que o Espírito Santo nos ensina sobre o desejo de se tornar rico, usando o apóstolo Paulo: “Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição” (1Tm 6:9).

É necessário estarmos conscientes de que o conceito de prosperidade não pode ser reduzido à posse de dinheiro e bens materiais. Existem pessoas que possuem muito dinheiro sem, contudo, serem prósperas. Existe um alto índice de dependência de drogas, prostituição, divórcios e suicídios entre as pessoas da classe alta nas sociedades de todo mundo.

É necessário estarmos conscientes de que ser pobre, perseguido ou estar enfermo, não significa necessariamente estar em pecado. Vejamos as seguintes passagens da Bíblia:” Pois nunca deixará de haver pobre na terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra” (Dt 15:11). ” Porquanto sempre tendes convosco os pobres...” (Mt 26:11). “O que oprime o pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado o honra” (Pv 14:31). “Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso de lábios e tolo” (Pv 19:1).” O que o homem mais deseja é o que lhe faz bem; porém é melhor ser pobre do que mentiroso” (Pv 19:22).” O rico e o pobre se encontram; a todos o Senhor os fez”(Pv 22:2). ” Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e salvo, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta (Zc 9;9).” Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”(Ap 3:17).

Os doutrinadores da prosperidade dizem que por se ser filho de Deus, temos o "direito" de termos o que quisermos! Vejamos, como exemplos, algumas refutações bíblicas:

- Jesus não tinha onde reclinar a cabeça ( Mt 8:20).
- Paulo viveu em constante pobreza ( Fp 4:11).
- Jesus pediu ao rico para desfazer-se dos bens ( Lc 18:22).
- Os que querem ficar ricos caem em tentações (1Tm 6:9).
- Não podemos servir a Deus e as riquezas (Lc 16:13).
- A oração que não é atendida: para gastar no luxo (Tg 4:3).
- Na oração do Pai Nosso não há indicação de pedirmos além do necessário ("de cada dia..." - Mt 6:11).
- O servo de Eliseu apanhou lepra pela cobiça (2Rs 5:20-27).
- "Não ajunteis tesouro na terra..." (Mt 6:19).
- José e Maria eram humildes. A sua oferta de sacrifício no templo foi um par de rolas (Lc 2:22), a mais simples oferta (veja Lv 12:6-8).
- A fascinação da riqueza sufoca o crescimento espiritual (Mc 4:19).
- Pedro e João não tinham oferta para dar ao paralítico (At 3:6).
- Moisés abandonou a sua riqueza e "status", para servir a Deus e ao Seu povo (Hb 11:24-26).
- A cobiça levou o povo de Israel a desobedecer e ser derrotado (Js 7:1-26).
- Deus usou Gedeão, da família mais pobre de Manassés, para libertar Israel (Jz 6:15).
- Jó, um justo, passou por um período de pobreza total (Jó 1:9-12).
- Em Jerusalém, a maioria dos crentes era muito pobre, mas Paulo não os tratou com desdém, mas chamou-os de Santos: “Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia levantar uma oferta fraternal para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém”(Rm 15:26).

A Bíblia ensina que nem a pobreza nem a riqueza são virtudes. A Palavra de Deus, aliás, em momento algum trata a pobreza com desdém. A vida do homem não se constitui dos bens que possui (Lc 12:15). Não devemos ir para um extremo, nem para o outro (Pv 30:8,9). Qualquer extremo é perigoso.

É verdade que a riqueza é bênção de Deus, desde que adquirida de maneira honesta e não vise exclusivamente aos deleites deste mundo (Tg 4:3). Caso contrário, seremos escravizados por ela.

Infelizmente, nos nossos dias, muitos crentes passaram a observar a sua fé como um mecanismo de prosperidade material e, com isto, desviam-se dos objetivos traçados pelas Escrituras Sagradas. Não nego que Jesus tenha bênçãos materiais para a Sua Igreja, mas, definitivamente, não é para isto que a Igreja foi constituída e não é este o propósito para ela estabelecido pelo Senhor. Quando mudamos a diretiva divina de salvação de almas e aperfeiçoamento dos santos para uma diretiva de busca de prosperidade, a encaminhar-nos a ser apostatas. O materialismo é uma das principais marcas do espírito do Anticristo, cujo reinado sempre beneficiará os mercadores (cf Ap:18), que serão os que mais lamentarão a queda de seu sistema iníquo.

Não é à toa que a primeira expressão da igreja de Laodicéia, que é o retrato da igreja apóstata dos dias do arrebatamento, seja “rico sou e de nada tenho falta” (Ap 3:17), a mostrar que esta igreja tinha, em primeiro plano, a preocupação com as riquezas, com os bens materiais.

Urge modificarmos este pensamento que está incrustado na Igreja, levando muitos à apostasia. Muitos já não pensam nas almas, mas nos dízimos e ofertas; outros não estão preocupados com a obra de Deus, mas com os cifrões dos seus salários. Muitos não querem saber de buscar a Deus para ter bênçãos espirituais, para serem instrumentos de salvação e de aperfeiçoamento de outros crentes, mas querem enriquecer com campanhas, sacrifícios, etc. São pessoas que vivem como o mundo, que têm as mesmas preocupações e propósitos que o mundo e que, portanto, pertencem a este vasto grupo onde o amor está a esfriar pelo aumento da iniquidade e que, ao buscar riqueza material, não vê que se comporta como um pobre, desgraçado e nu. Vigiemos e não entremos nesta onda, que nos levará a maus resultados.

Portanto, a teoria da prosperidade é diabolicamente perversa e mentirosa, porque induz os filhos de Deus a buscarem a riqueza, por concluírem ser esta de grande importância.

Se deseja saber mais acerca deste assunto,
contacte-me para: alfredopsilva@gmail.com


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